As explicações do técnico João Eusébio para o segundo naufrágio do Rio Ave em dois anos
A conferência de imprensa de João Eusébio após a derrota com o Gondomar. Cerca de 8 minutos onde o técnico do Rio Ave tentou justificar a inexplicável quebra da nossa equipa nos últimos 3 jogos, lamentavelmente coroada com o descalabro frente ao conjunto gondomarense, que sem ter vedetas, e onde nenhum dos seus titulares teria esse estatuto no Rio Ave, ascendeu ao 4º lugar da Liga de Honra. O nosso treinador tem alguma razão quando se queixa de carências defensivas, mas também é preciso saber a razão pela qual nunca confiou no central António ou tentou lançar o promissor Fábio Faria para cobrir os problemas no sector recuado. O Rio Ave continua impedido de inscrever jogadores e, ao contrário de outros, não teve possibilidade de ir ao mercado. Agora, é um insulto à inteligência de todos os rioavistas apregoar que os jogadores excederam as expectativas e dar-lhes os parabéns por isso após a humilhante derrota com o Gondomar. Se eles estão de parabéns foi por terem conseguido dar a volta com as suas exibições à falta de ambição do primeiro terço da Liga de Honra, que se calhar nos custou pontos que agora fazem muita falta. Exige-se, neste momento, um murro na mesa, que instigue a revolta do grupo, fazendo-lhes ver que têm uma dívida para com os adeptos que tanto os têm apoiado, deixando a pele em campo nos últimos 2 jogos. O Rio Ave, mesmo com algumas posições eventualmente mal cobertas, possui um plantel de excepcional qualidade para a Liga de Honra e não poderia ser exigida outra coisa que não fosse estar na luta pela subida. Tal como na época passada perdemos os últimos 5 jogos e descemos (António Sousa deixou o Rio Ave acima da linha de água...), agora o barco também vai ao fundo na recta final do campeonato. No meio de toda esta desilusão, só nos resta arranjar forças para acreditar no que seria um verdadeiro milagre. Haja Fé.
Depois desta derrota a subida de divisão está mais difícil?
"Muito mais difícil. A nossa equipa, neste jogo, tinha de inverter a dinâmica de derrota e sofreu um golo de bola parada. Difícil de sofrer, mas que acontece. Temos de respeitar isso. Na primeira parte, a nossa equipa tentou lutar de várias formas contra as adversidades do tempo, do vento. Jogámos em sentido único, sempre no meio-campo do adversário. É um facto que não criámos muitas oportunidades, como desejaríamos criar, mas tentámos de uma forma ou de outra, por vários métodos ofensivos, e nunca conseguimos. Na segunda parte, também entrámos com pendor atacante. É difícil tentar virar um resultado nestas condições. O que acontece é que fomos uma equipa desesperada à procura da vitória. Um bocadinho desorganizada. Um bocadinho mais com o coração do que com a cabeça. Não fomos uma equipa inteligente, uma equipa equilibrada. Sofremos o golo e, em desvantagem, foi tudo mais difícil. Temos de dizer que o campeonato ainda não terminou. Faltam duas jornadas e ainda é possível. Sabendo que o mais difícil neste momento é inverter a dinâmica. Viemos de uma dinâmica de vitórias, com 17 jogos sem perder. Quando ninguém esperava que esta equipa aparecesse, apareceu. E no momento em que, se calhar, tivemos mais confiança e toda a gente, se calhar, contava com o Rio Ave, o Rio Ave claudicou. Não podemos dizer que os nossos jogadores se portaram mal. Pelo contrário. Portaram-se à altura. Trabalharam à altura e não é em 2 ou 3 jogos que vamos mudar a forma de pensar ou a opinião que tinhamos em relação a eles. Não. Acreditamos na mesma. Faltam 2 jogos. Enquanto for possível, vamos acreditar. O mais difícil vai ser no balneário. Tentar motivar estes jogadores. São jogadores que estão tristes. Mais do que toda a gente, são eles que estão tristes, cabisbaixos. O mais difícil será motivá-los, dizer-lhes que ainda é possível. Vamos trabalhar e lutar até ao fim."
Surpreendeu-o o sistema utilizado pelo Gondomar?
"Não. Nós já tínhamos a noção que o Gondomar viria jogar assim. É uma equipa que actua muito defensivamente. Quando perde a bola reage a essa perda através da reposição imediata de lugares. Sabiamos que era assim. O que não contávamos era sofrer um golo. Ainda por cima de forma muito pouco normal. Tornou-se mais difícil, como acontece contra estas equipas que defendem bem e actuam sempre atrás da linha da bola, fazendo pressão sobre o portador da bola. É muito difícil criar espaços a equipas assim. Se calhar nós também não estamos na melhor fase em termos de criatividade. Também nos faltou um ou outro jogador em termos daqueles jogadores que nos dão profundidade e que criam desequilíbrios na frente. Contávamos, de qualquer forma, com um Gondomar como este que apareceu aqui."
O Rio Ave tem sofrido muitos golos. Não lhe parece que reside aí o grande problema da equipa?
"Se vocês têm reparado, o Rio Ave, e isto não é desculpa mas sim um facto, andou a época toda sem um lateral-direito de raiz. O Rio Ave só tem um lateral-esquerdo. Quando aos centrais, quando falta um tem de ser adaptado outro. Em termos de estrutura defensiva o Rio Ave tem algumas carências. Eu sei que as equipas adversárias também sabem e notam isso. Sabem onde podem explorar as deficiências do Rio Ave. A nossa equipa, quando está equilibrada, é mais coesa. Mas quando falta uma ou outra peça, o Rio Ave tem algumas dificuldades de adaptação. E o Rio Ave, nos últimos 4 ou 5 jogos, tem andado sempre a fazer adaptações, tanto nas laterais como no centro do terreno. É um facto que as equipas adversárias conhecem e do qual procuram retirar divididendos."
Acredita sinceramente que a subida de divisão ainda é possível?
"Repare, é evidente que o Vitória de Guimarães está a fazer uma excelente recuperação, mas posso dizer-lhe que quando Manuel Cajuda entrou eles tinham exactamente os mesmos pontos que o Rio Ave. Ou seja, 21 pontos. O Rio Ave também andou a fazer um grande segundo terço do campeonato superando os resultados negativos que teve no primeiro terço do campeonato. Agora, o que posso dizer é o seguinte: é difícil uma equipa inverter esta dinâmica. Neste momento não há trabalho físico. A nossa equipa, mesmo depois de sofrer o golo, reagiu bem. Só foi notada uma quebra após o segundo golo. Não foi uma quebra física, mas mental. Para uma equipa que vem de duas derrotas consecutivas, não é fácil inverter a tendência. Isso nota-se num ser humano, não é só num jogador de futebol. Em qualquer equipa é sempre difícil superar a dinâmica de derrota. Não estou a dizer que não vamos lutar até ao fim. Vamos. O essencial de tudo isto é inverter esta dinâmica. Conseguir que os jogadores se libertem. Pensar agora que quando chegámos lá não tinhamos pressão em termos de objectivos. Nós sabiamos qual era o nosso objectivo: era fazer uma época tranquila. Em termos de resultados desportivos era esse. Só que nós conseguimos pontos. Jogo a jogo, sem ninguém dar por nós, e lá fomos. Quando chegámos a uma posição na qual não podiamos falhar, foi quando falhámos. Porque, se calhar, tinhamos mais adversários em boas fases, porque se calhar aconteceu isto nas últimas jornadas. Os tais cartões amarelos e castigos. Se fosse em termos de organização ofensiva que faltasse um ou outro elemento existiam sempre soluções. Em termos defensivos é que não temos. Penso que isso pesou um bocadinho. Não é desculpa nenhuma. Assumimos as responsabilidades. Dei os parabéns aos jogadores porque fizeram um campeonato acima das expectativas que nós pensávamos que fizéssemos. Agora, o que conta é a última imagem. A cara com que se ganha não é a cara com que se perde. Não posso, de forma alguma, estar descontente com os jogadores. Estou contente porque excederam as expectativas. Estou triste porque podiamos chegar lá e não conseguimos. Não conseguimos não... Ainda faltam dois jogos e estamos muito a tempo. Vai ser um trabalho a realizar durante a semana. Algo que vou ter de trabalhar bem com os nossos jogadores porque em dois jogos ainda há muita coisa que pode mudar. Até no último jogo se pode decidir muita coisa. Nós não atiramos a toalha ao chão. Estamos aqui para lutar até ao fim. Queriamos vencer o Gondomar, só dependíamos de nós, e agora não dependemos somente de nós, mas o futebol é assim. Já estivemos a 12 pontos do Feirense e agora levámos 10 pontos acima. Já estivemos a 11 pontos do Leixões e chegámos a estar 3 pontos acima. Isto é um campeonato. Se calhar, na fase mais crucial, quando não podiamos errar, foi quando surgiu alguma deficiência em termos de estrutura e não tivemos os jogadores todos com que queríamos contar, nomeadamente na organização defensiva."









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