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quarta-feira, novembro 08, 2006

Depois da Hora: n. º 2

O Depois da Hora está de volta depois de uma paragem de 15 dias com o editor longe de Vila do Conde, mas ainda assim atento aos desenvolvimentos da 8ª e 9ª jornadas.

Parti com o Rio Ave a "ressacar" de uma ingrata derrota caseira ante um Leixões bastante matreiro e voltei com uma vitória magra sobre um Estoril de quem esperava outra combatividade. Vamos por partes.

1. Assembleia Geral. A manhã antes da tragédia "medieval" em Santa Maria da Feira. Muitos sócios do Rio Ave, onde eu me incluo, vulgarmente não participam e assistem às Assembleias Gerais porque, entre outros motivos, temos mais que fazer a um domingo de manhã, pelas 10 horas. O horário não ajuda, mas a passividade associativa é um mal geral em Portugal, ao qual o Rio Ave e os seus associados, grosso modo, não foge à regra. No entanto, os documentos aí apresentados são públicos, pelo que a sua leitura a posteriori é sempre recomendável. O estado das finanças do clube é preocupante. A temporada passada foi "pensada" num orçamento de base zero e terminou com um prejuízo de quase 700 mil euros (140 mil contos na moeda antiga) segundo o Relatório e Contas 2005/2006. A Direcção, e bem, propôs a realização de um diagnóstico do futuro e estudo financeiro com a participação de todos os orgãos estatutários. Veremos se o estudo vai adiante e, mais, se na temporada passada com os proveitos da televisão o saldo foi tão negativo, imaginemos agora sem a TV que balanço teremos para 2006/2007 especialmente se não for conseguida a subida de divisão e/ou a alienação de activos (venda de jogadores).

2. A goleada frente ao Feirense. Humilhação. Depois de estarmos a vencer por 1-0 com golo do Evandro, dois ex-jogadores nossos deram a volta ao jogo (Nuno Sousa e Gaúcho) e depois um jogador já ventilado para reforçar a nossa equipa em épocas anteriores, Vitinha, fez o 3-1 e praticamente carimbou uma goleada que apenas terminou com o 4-1 final. Um bater no fundo, que talvez tenha sido importante não só para percebermos o quanto podemos esperar deste Rio Ave, mas também para técnicos e dirigentes fazerem um diagnóstico mais preciso do seu trabalho. João Eusébio sobreviveu ao desaire, diz-se, porque o clube está financeiramente tão depauperado que não há liquidez para contratar outro técnico ou reforçar o plantel em Janeiro.

3. Semana de reflexão e um sorriso tímido volta a pairar sobre Vila do Conde. O Rio Ave bateu o Estoril com um golaço de Delson, uma primeira parte boa e um segundo tempo em que, apesar da estratégia ter sido fazer um jogo de contenção, a equipa mostrou falta de cultura táctica para esse efeito. Foi permissiva e apenas com alguma sorte (e a ajuda de Mora) segurou o 1-0. No entanto, a vitória foi incontestável e a imprensa, de um modo geral, elogiou o jogo do Rio Ave.

4. Comentários anónimos. E não só. Não sou babysitter e como nunca tive paciência para o ser, não sou obrigado a fazer a limpeza aos comentários nojentos que têm pululado pelo blogue. Espero que a onda de insultos pessoais e de palavrões nas caixas de comentários termine. Os dois últimos FÓRUNS (Leixões e Feirense) foram nojentos. Os "artistas" não foram apenas adeptos infiltrados da Académica, Varzim e Leixões, havia gente, (pretensamente) vileira. Ou a palhaçada acaba ou é o próprio blogue que acaba. A editoria tem muito para fazer nestes dias e ver o BdRA - espaço com reconhecimento público consolidado, apesar de um extraordinário silêncio instituicional sobre o seu trabalho, méritos, deméritos, etc. - imerso numa onda de má educação e pobreza intelectual será remetê-lo para um triste encerramento.

5. Taça de Portugal nos Açores este sábado. Frente ao Operário, para ganhar! Seguem-se mais duas deslocações complicadas, com viagens ao Trofense e ao Portimonense. Se contra o Estoril ficaram algumas interrogações, este ciclo irá, certamente, clarificá-las. Espero que para o bem.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Depois da Hora: n.º 1

Inspirado no nome do programa da RTP-N em que tive oportunidade de participar entre Dezembro de 2005 e Maio de 2006, defendendo, como adepto, as cores do nosso Rio Ave FC lanço a partir de hoje uma crónica sem periodicidade definida que poderá vir a ser o principal foco de atenção neste novo formato do BdRA, dados os desafios pessoais / profissionais que terei a curto/médio prazo. O primeiro número do "Depois da Hora" é inteiramente dedicado ao Rio Ave - Leixões de ontem à tarde.

Sinceramente acho que, agora a frio, é preciso que algumas coisas sejam ditas.

1. O Leixões venceu com sorte, mas teve o mérito de saber defender bem, adaptar-se ao estilo de jogo do Rio Ave e "matar" em dois erros crassos da nossa defesa/guarda-redes. Ganha quem marca. Vítor "Sobe, Sobe" Oliveira 1-0 João Eusébio.

2. O Rio Ave entrou bem no jogo, fez uma 1ª parte sempre por cima, criou oportunidades, mas foi incapaz de bater o Beto, fosse por mérito deste guarda-redes de bom nível, fosse por demérito dos nossos finalizadores.

3. Na segunda parte o Rio Ave voltou a estar por cima, embora com o Leixões a adiantar-se mais no terreno e a dar menos espaços no meio-campo. Ainda assim fomos sempre acutilantes e chegamos ao golo com inteira justiça. Fábio é o nosso artista.

4. Fomos amadores e nem um minuto depois já estavamos a encaixar o 1-1 com Mora a dormir (não teve que fazer qualquer defesa e encaixou dois golos, com culpas).

5. Voltámos a reagir, mas tinhamos a nossa equipa com um meio campo e frente de ataque esgotados fisica e também animicamente. Aqui entra a passividade de João Eusébio. Tudo bem que Laércio e Vítor Gomes estão lesionados, mas Samson dá garantias, porque não entrou em jogo para dar velocidade e aproveitar os "amarelados" laterais do Leixões? O Fábio, ainda que com decrescente fulgor com o aproximar dos 90 minutos, foi sempre o "motor" do ataque, aproveitando as alas para desequilibrar a defesa lenta do Leixões, sobre tudo o eixo central com dois brasileiros (o Cleuber, tinha até ontem zero minutos de jogo na Liga de Honra) de péssima qualidade em estilo de jogo rápido.

6. Sem soluções para o meio-campo porque é que Agostinho não é chamado sequer ao banco? É um jogador "matreiro" como João Eusébio tanto gosta de afirmar e faz posições como "10" assim como pode jogar nas alas e dar outras garantias de finalização. Se já na época passada não lhe eram dadas chances porque não foi dispensado? E porque não joga agora?

7. Num golpe de fim de jogo o Leixões venceu a partida com mérito, apesar do Rio Ave com um pouco mais de sorte (esta também se procura e não é lançando Costé perto dos 90' por lançar que se encontra... Até porque Costé já mostrou porque foi dispensado do Varzim...) poder ter ganho esta partida sem dificuldade. Foi quem melhor jogou. Mas não marcou. Por manifesto amadorismo.

8. Haja cuidado quando se fala em hipotéticos substitutos, porque se João Eusébio pode e deve ser visado nas críticas é importante que se levantem nomes credíveis e se justifiquem essas apostas "de sócio/treinador" de bancada. Por mim era Carlos Manuel, não esta temporada mas quando Sousa foi pateticamente contratado. Consumado o desastre "Sousa", prefiro e continuo a preferir ter gente da casa e economicamente menos dispendiosa do que velhos tubarões com zero de garantias. Mário Reis é apenas um desses exemplos.

PS: Vou estar 15 dias ausente, espero que o Rio Ave dê a volta por cima. O BdRA não irá parar, sobretudo o TOTORIO 2006/2007.