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quarta-feira, abril 18, 2007

João Eusébio: «Logo na pré-época sentimos que tínhamos equipa para subir»

"Sou investidor na Bolsa e não gosto de apostar em acções que subam muito, rapidamente, porque em seguida também costumam descer muito"

Por ANTÓNIO TAVARES-TELES, in jornal "O Jogo"


João Eusébio: sinceramente, conhecia muito pouco deste homem que, sem aquele ar de treinador “up to date” ou de teórico encarnado da bola, conseguiu, no meio de um discurso aparentemente pouco elaborado mas objectivo, seguro, eficaz e, indubitavelmente inteligente, levar o seu Rio Ave a uma posição quase indestrutível no que diz respeito ao acesso à I Liga. E no entanto nem começou lá muito bem a época. Mas está a acabá-la bem, e é isso que importa. Boa aposta pois do presidente vilacondense, Paulo Carvalho.

- Que é que se passa? Faltam cinco jogos para o final do campeonato e tem 8 pontos de avanço sobre o 3º classificado – o Guimarães. Subida praticamente assegurada, portanto...
- (ri) Não, isso não, há ainda 15 pontos em disputa. Como temos 8 de avanço, isso quer dizer que temos apenas um pouco mais de 50 por cento de probabilidades de subir, é o que dizem as estatísticas. E como há muitos colegas meus que gostam de falar em estatísticas, eu também falo...

- Recebe no próximo fim-de-semana o Portimonense, que não me parece que seja um adversário muito difícil...
- Não é difícil?! É, claro que é, porque está a precisar muito de pontos e porque ultimamente, até está em ascensão.

- Em seguida, vai a Guimarães...

- Sim, e nesse jogo pode acontecer tudo: pode dar para o Guimarães reduzir a diferença que nos separa, tal como pode dar para que nós possamos atingir nesse dia o nosso objectivo.

- No início da época acreditava que, nesta altura dos acontecimentos, estaria tão bem situado?
- Para ser sincero, logo na pré-época sentimos que tínhamos equipa para subir. E foi isso que assumimos internamente.

- Mas a época nem começou bem...
- Não, mas só em matéria de resultados, porque a nossa produção foi sempre boa. E sempre acreditei que, se fôssemos capazes de mantermos os nossos princípios de jogo e a nossa identidade, os resultados também acabariam por aparecer, mais cedo ou mais tarde.

- O João Eusébio foi portanto uma boa aposta do Paulo Carvalho...
- (ri) Sim, creio que sim, e tenho de agradecer ao Rio Ave, na pessoa do seu presidente, essa aposta que fizeram em mim.

- Iniciou-se no Rio Ave como treinador?
- Não. Como treinador, tenho por exemplo duas subidas pelo Bragança, onde num dos anos em que lá estive chegámos aos quartos-de-final da Taça, tendo sido eliminados pelo FC Porto.

- E, estando a coordenar o futebol jovem do Rio Ave, foi chamado para ser o adjunto do António Sousa, é isso?

- Não, eu era, como diz, o coordenador do futebol jovem do Rio Ave, mas não fui adjunto do António Sousa. Quando ele saiu é que eu passei a ser o treinador principal do clube.

- Desculpe lá a minha ignorância, mas... Outra coisa: tem o curso de treinador?
- Tenho o curso de nível 4, e o nível 4 Pro-UEFA, atenção. Para além disso, tenho também o curso de formador de treinadores e em Bragança fui director-pedagógico do 1º nível e, depois, do 2º. Podendo mesmo dizer-lhe que comecei a tirar o meu curso para treinador – do 1º nível, pois – em 1982, está a ver... Tinha, creio, 23 anos.

- Mas foi um jogador fraquito, ou não?

- Dependo do critério, porque até subi quatro vezes de divisão com o Rio Ave, e depois uma com o Bragança.

- É um treinador sem efes e erres, sem gravatas vistosas, dizem que não é bem falante...
- Olhe, para além de estar neste momento a frequentar um curso superior, sou sempre o primeiro em matéria de investigação, de procura de informação. E depois creio que sei passar da teoria à prática, como se tem visto.

- É de Caxinas...

- Sim, tal como o André e o Paulinho Santos, mas a minha família não está ligada à pesca: tem um negócio.

- O contrato acaba agora?
- Acaba, embora estejamos a planificar a próxima época. Embora para já o principal não seja eu mas sim renovar com os jogadores que nos interessam e encontrar outros que também nos interessem. O resto...

- Até onde sonha chegar?
- Tal como o meu objectivo é ganhar jogo a jogo, quanto à minha carreira a minha filosofia é exactamente a mesma: subir patamar a patamar. Sou investidor na Bolsa e não gosto de apostar em acções que subam muito rapidamente, porque em seguida também costumam descer muito. Gosto de subir com consistência.

quinta-feira, abril 12, 2007

João Eusébio: «A subida só depende de nós»



Entrevista publicada no site oficial do Rio Ave FC (www.rioave-fc.pt)

- Como está a decorrer a semana de trabalho?
- Com a tranquilidade habitual e com muita confiança. Tudo isto à semelhança do que tem vindo a acontecer nas últimas semanas. Estamos a abordar todos os jogos com seriedade, mas com muita confiança e serenidade. Sabemos que estamos a fazer um excelente campeonato – onde a qualidade dos jogadores finalmente se revelou – mas não podemos tirar o pé do acelerador. Ou seja, temos de permanecer sempre atentos, porque este campeonato é difícil e ao mínimo deslize podem acontecer sobressaltos. Assim, estamos tranquilos, mas atentos.

- Este campeonato está a confirmar as expectativas iniciais, na medida em que não tem sido fácil?
- Sim. Há equipas com muita qualidade e a prova tem sido muito competitiva. O Rio Ave tem feito um campeonato à sua medida, mas com muito esforço. Estamos no 1º lugar fruto de muito empenho, porque não foi fácil chegar até aqui. Houve alturas em que tivemos de lutar contra muitas adversidades. Nesta fase, estamos mais tranquilos. Mas, sabemos que todas as equipas que inicialmente se assumiram como candidatas estão na luta pela subida e não podemos facilitar.

- Ou seja, o jogo com o Trofense será encarado com cautela?
- O Rio Ave não vai mudar a sua postura. É evidente que durante a semana trabalhamos em função do próximo adversário, mas a nossa metodologia sempre foi essa. Por isso, o jogo com o Trofense será mais um…é um desafio para ser encarado como todos os outros. Sabemos que devemos estar atentos à equipa do Trofense, mas não pretendemos desvirtuar a nossa identidade. No entanto, sabemos que o Trofense tem uma equipa muito forte, sobretudo nos jogos fora de casa. É uma equipa que procura o erro do adversário para explorar o resultado nessa vertente, pelo que não podemos facilitar. Seremos uma equipa equilibrada e muito concentrada.

- O Rio Ave sempre adoptou a estratégia de trabalhar jogo-a-jogo. Agora que o campeonato está na recta final, não pensam já um pouco mais além?

- Não, continuamos a pensar da mesma forma. Primeiro temos que vencer o jogo e depois logo se vê. Apenas temos a noção de que é fundamental ganhar os nossos jogos, sobretudo nesta altura em que só dependemos de nós próprios. Isto não significa que não estamos alerta! Sabemos os pontos que precisamos para a subida de divisão e conhecemos o calendário de jogos que temos até ao final da prova. Mas não é isso que nos motiva. Não pensamos a longo prazo, mas sim passo a passo.

- Mas quando analisa o campeonato do Rio Ave, o que lhe parece?

- Parece-me que, se estivesse no lugar dos nossos adversários, pensava que o Rio Ave é um sério candidato à subida. Mas, no lugar do Rio Ave penso exactamente da mesma forma: jogo-a-jogo. Temos ainda quatro jogos em casa e dois fora e sabemos fazer contas! Mas, não nos preocupamos com estatísticas. Queremos é vencer os jogos. Se conseguirmos fazer isso, não precisamos sequer de pensar no calendário dos nossos adversários.

- No fim desta longa caminhada, o título de Campeão ficaria bem entregue ao Rio Ave?

- Temos que pensar num objectivo de cada vez. Quando iniciamos o campeonato, o Rio Ave tinha três prioridades e tem vindo a trabalhar nesse sentido. Nunca falei muito nesta realidade, mas é preciso referir que – ao contrário do que se pensa e muitas vezes se diz – esta equipa não é igual à da época passada. Falta o Zé Gomes, o Mozer, o Idalécio, o Cleiton, o Gaúcho, o Marquinhos…enfim, jogadores habitualmente titulares. É evidente que o Rio Ave não fez muitas contratações e a maioria dos jogadores titulares desta época já pertencia ao Clube. Aliás, temos 300 jogadores em formação! Assim, as prioridades iniciais eram dar consistência e equilíbrio financeiro ao Rio Ave, promover os jogadores das camadas jovens e não descurar os resultados desportivos.

Isto em resposta à questão sobre o título, porque agora, em primeiro lugar queremos atingir o objectivo de subida de divisão e só depois, se houver essa hipótese, se pensará no título. Vamos avançando degrau a degrau, sem pressões desse tipo. Se não conseguirmos, não vamos ficar tristes nem desanimados porque esse nunca foi o nosso objectivo. Só teremos de dar os parabéns a todos pelo excelente campeonato e pela excelente equipa que está constituída.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

João Eusébio fez "balanço positivo" da produção da equipa

O quinto lugar que o Rio Ave ocupa na tabela classificativa não preocupa o técnico João Eusébio, que, no entanto, reconhece que tendo em conta o campeonato que tem vindo a realizar a equipa podia ter alcançado mais uns pontos. Em jeito de balanço, publicado pelo Jornal O Jogo, o treinador lembrou que os objectivos que lhe foram propostos não se limitam à parte desportiva. "O Rio Ave tem prioridades, que passam por cimentar o número de jogadores oriundos das camadas jovens que integram o plantel profissional", disse, frisando, que, nesse aspecto, "os objectivos estão a ser satisfeitos". Admitindo que os resultados desportivos "não podem ser descurados", João Eusébio frisou que "o quinto lugar está dentro das expectativas delineadas para este momento".
Em relação ao seu trabalho, o técnico explicou o motivo pelo qual tem apostado na rotatividade do plantel. "Temos um grupo composto por 25 jogadores e todos estão aptos a jogar, mas é normal que existam quebras de rendimento. Assim sendo, há jogos onde é preciso alterar a equipa base, situação que até considero benéfica".
Feitas as contas, João Eusébio acredita que o próximo ano será positivo, pois sente a equipa "motivada". "O primeiro ciclo de jogos não foi positivo e andamos a correr atrás do prejuízo. Agora, estamos numa fase mais positiva e se equipa mantiver a postura e atitude tem condições para lutar pelos lugares cimeiros, pois as exibições têm sido boas e a produção também tem agradado", referiu.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Eusébio perspectiva próximo jogo

Entrevista publicada em www.rioave-fc.pt

- A vitória sobre o Leixões pode representar mais um passo ascendente na tabela classificativa para a equipa do Rio Ave que tem feito um início de campeonato tranquilo…
- É verdade. No que respeita à pontuação, caso o Rio Ave vença, fica em posição superior ao Leixões. Mas sabemos que vamos encontrar uma boa equipa e não podemos “adormecer”. O Leixões é uma equipa que no seu processo ofensivo ataca com coberturas e na defesa erra poucas vezes. É uma equipa madura que fica sempre à espera do erro do adversário. Como é evidente, também tem as suas fragilidades e é por aí que a nossa equipa vai, para procurar explorar esses pontos fracos.

- As características que descreveu são comuns a várias equipas deste campeonato. Daí o equilíbrio que se tem notado?
- É um facto que as equipas que disputam este campeonato são muito idênticas no seu modelo de jogo. São equipas fechadas, jogam quase sempre atrás da linha da bola e, nos jogos em casa, costumam procurar o controlo de jogo com um fluxo de ataque muito forte. Fora de casa, acontece o inverso, ficando à espera da reacção do adversário. No caso do Rio Ave, procuramos sempre o controlo de jogo, seja no nosso terreno ou fora. A nossa equipa gosta de ter a posse de bola e é isso que tem procurado fazer até ao momento. No entanto, sabemos que o Leixões é uma excelente equipa e antevemos um jogo difícil. A equipa que cometer mais erros é aquela que vai perder o jogo. Mas o futebol tem outras condicionantes, como sejam o estado em que os jogadores se encontram e o factor sorte que, por vezes, é determinante.

- Isso significa que a equipa do Rio Ave terá de estar concentrada a 100 por cento no jogo?
- Sim. É isso que pedimos em todos os jogos: que os jogadores estejam concentrados e sempre ao seu melhor nível. Quando me refiro à concentração dos jogadores, estou a reportar-me a todos os sectores – ofensivo e defensivo. Houve uma altura em que o Rio Ave não conseguia fazer golos, mas ultimamente tem conseguido marcar em quase todos os jogos. Para além da concretização, há a registar o aumento do número de oportunidades criadas. No capítulo defensivo, também temos sofrido golos e estamos a trabalhar no sentido de melhorar este aspecto. Por isso, queremos que todos os jogadores estejam concentrados e cumpram o seu papel. Só pedimos aos jogadores aquilo que eles conseguem fazer e sei que este desafio está perfeitamente ao seu alcance.

- Ou seja, a equipa tem vindo a evoluir de forma positiva…
- Exactamente. Os indicadores que a equipa tem demonstrado apontam nesse sentido. Estou satisfeito com o trabalho dos jogadores. Por vezes, os resultados não correspondem aos nossos anseios, mas em termos de atitude, de vontade e determinação, penso que o Rio Ave está no bom caminho. A título de exemplo, posso referir que no final do jogo com o Santa Clara, enquanto treinador senti-me muito satisfeito por considerar que os jogadores tiveram uma atitude de verdadeiros campeões. Não é fácil uma equipa estar a perder por dois a zero e conseguir lutar por inverter o resultado. Notou-se, mais uma vez que temos “equipa”, ou seja, temos um grupo de jogadores que demonstrou muita vontade de vencer e muita garra. Sabemos que nem todos os jogos serão assim, há dias melhores e dias piores, mas tudo faz parte do campeonato.

- Este jogo com o Santa Clara, pela atitude que os jogadores demonstraram, vai servir de exemplo para desafios futuros?
- Penso que sim. Todos os jogos servem de exemplo, mediante as circunstâncias que estejam em análise. Em relação ao jogo com o Santa Clara, só veio demonstrar que a nossa equipa tem qualidade e capacidade para reagir quando está perante um resultado negativo. Note-se que, o Santa Clara é uma equipa assumidamente candidata à subida. Por isso, não é um adversário qualquer! Mesmo estando a perder, o Rio Ave conseguiu inverter a tendência e mostrou muita determinação, muito equilíbrio emocional e uma atitude profissional de campeões.

quarta-feira, outubro 11, 2006

João Eusébio: «A equipa está a controlar e estão a ver-se melhorias de jogo para jogo»

Aproveitando a paragem do campeonato, o BdRA conversou com João Eusébio para saber, junto do "timoneiro" do Rio Ave FC, quais as primeiras impressões neste início de campeonato e que Rio Ave é que podemos ter em campo a curto / médio prazo. João Eusébio está confiante e, ainda que com uma ou outra falha técnica neste arranque de temporada, é um técnico que merece toda a confiança. Veremos como a equipa se comporta no "ciclo crítico" que se avizinha e depois voltaremos a conversar. Uma entrevista a ler com toda a atenção.

- Com esta paragem da Liga de Honra, que reflexão faz da etapa inicial da época ao final de 5 jornadas?
- Em todos os jogos, e exceptuando a primeira parte contra o Penafiel, o Rio Ave foi sempre superior em todos os jogos. Em Penafiel não gostámos do primeiro tempo, de facto, talvez por causa de alguns jogadores que entraram de início ou até da estratégia não ter resultado. Temos de assumir isso. Nos restantes encontros, fomos uma equipa controladora, dominadora. Sabendo que na Liga de Honra os jogos são de duelo, de contacto, onde a margem de erro é nula. Sabemos disso. Tem havido poucas oportunidades na maioria dos jogos, mas o Rio Ave até cria bastante ocasiões para marcar. Não estamos a concretizar, é um facto. A equipa está a controlar, faz uma boa circulação de bola e estão a ver-se melhorias de jogo para jogo. Os indicadores deixam-nos satisfeitos.

- A boa pré-época foi importante em termos anímicos e mentais para a equipa encarar melhor o choque com a realidade competitiva da Liga de Honra?
- Ajuda sempre a criação de hábitos de ganhar. A nossa equipa foi restruturada. Toda a gente sabe. Em termos de planificação e finalidade dos objectivos do clube, está à vista que o Rio Ave tem uma equipa forte. Dão-nos como sérios candidatos. No entanto, temos uma equipa jovem. Mesmo muitos jogadores que transitaram da época passada ainda são jovens. Até o Milhazes e o Danielson, quanto mais o Fábio Coentrão, Vítor Gomes, Chidi ou Keita...

- Não será então aquela equipa matreira que se tem como sendo a ideal para obter bons resultados no segundo escalão...
- Falta realmente, algumas vezes, essa maturidade e alguma matreirice. Falta. A nossa equipa é jovem e para além das contratações oriundas de escalões inferiores, que temos de respeitar em termos de objectivos do clube em termos orçamentais, é importante termos alguns elementos como o Niquinha, Evandro ou Mora, que permitem com a sua experiência disfarçar a irreverência da maioria dos atletas. No cômputo geral, estou satisfeito com todos os jogadores do Rio Ave em todos os jogos, tirando a primeira parte em Penafiel.

- Aproxima-se um ciclo competitivo complicado e exigente. Será altura do Rio Ave se assumir como forte candidato à subida?
- Assumir candidaturas é fácil. É de boca. Os factos criam-se dentro de campo. No Rio Ave, e dentro da perspectiva da Direcção, nunca foi dito que o objectivo era subir. Agora nós, cá dentro, sentimos que temos matéria, jogadores, que nos permitem chegar lá. Isto mesmo respeitando outras equipas, que também são fortes. No final do primeiro terço do campeonato será a classificação a ditar quem são os candidatos. Claro que ainda poderão ser dadas muitas voltas, mas essa primeira definição pode ser importante. A nossa meta inicial será essa para então fazermos um balanço.

- O Rio Ave perdeu a características de somar muitos pontos fora e, na Liga de Honra, vai ter de o fazer para pensar em subir de divisão. Como se dá a volta a essa situação?
- Quando o Rio Ave estava no escalão principal, somar um pontinho já era bom. Não perder já deixava toda a gente satisfeita. Na Liga de Honra também pode ser bom ir empatando fora desde que consigamos vencer os jogos em casa. Se isso acontecesse, a subida de divisão seria um dado adquirido. Agora, ainda subsiste essa mentalidade por ter sido assimilada por alguns jogadores, que mantêm isso em mente. Esta épocas fomos duas vezes fora e em Chaves tivemos 8 ou 9 oportunidades de golo e várias ocasiões para ampliarmos a vantagem e matarmos o jogo. Quem não mata, morre. O que posso dizer é que a produção da equipa, e a fórmula de jogo, tem-se mantido estável em casa e fora. Há equipas contra as quais treinamos que se calhar baixam todos para trás da linha de meio-campo. O Rio Ave não faz isso. Tem uma linha de referência onde deve pressionar e não baixa o bloco em demasia a não ser em momentos específicos dos jogos onde isso tenha de acontecer. Queremos assumir o jogo, temos criado oportunidades mas ainda não fomos capazes de concretizar.

- O Santa Clara pode ser um teste marcante para as possibilidades do Rio Ave?
- Ainda será a 6ª jornada. O Santa Clara, segundo as estatísticas, ainda não venceu em casa e já conseguiu dois triunfos fora. Isso deixa antever dificuldades em actuar no seu reduto, assumindo o jogo, embora cada partida tenha uma história diferente. O Santa Clara assumiu-se como um sério candidato. Tem uma excelente equipa, com excelentes jogadores. São sempre jogos difíceis. É apenas mais um.

- Pessoalmente, como tem sido viver desde a pré-temporada esta realidade de treinar uma equipa nos campeonatos profissionais, ainda para mais o seu Rio Ave?
- Tenho encarado o desafio normalmente. Costumo dizer que um treinador é um treinador. Não há treinadores de primeira ou de terceira, mas sim bons ou maus treinadores. Alguns estão no desemprego e já orientaram a Selecção Nacional, outros com grande historial na Liga que andam pelos escalões secundários e outros que nunca treinaram e aparecem logo na Liga principal. Já passei por vários escalões, já fui adjunto e coordenador técnico, e em todas as funções acho que devemos ser profissionais, sérios, rigorosos, acreditando nas nossas convicções. A partir daí, temos a consciência tranquila em relação ao trabalho que estamos a realizar.