terça-feira, janeiro 30, 2007

Paulo Carvalho assume publicamente o repto de um novo estádio para o Rio Ave abraçar a modernidade

Reportagem da Agência Lusa

O Rio Ave projecta erguer um centro comercial no lugar do seu estádio, em Vila do Conde, para assim abrir caminho à construção de um novo recinto para o futebol, mais pequeno e mais confortável do que o actual.
O presidente do Rio Ave não fecha as portas à discussão sobre um estádio intermunicipal, que podia ser utilizado com o vizinho e rival Varzim, mas Paulo Carvalho só encara um tal cenário no caso de fracassar o ambicioso projecto. "Há até quem fale num clube único, mas isso já tem de ser analisado com calma...", frisou.
Nada está ainda decidido, mas o clube encontrou já um parceiro para tentar pôr de pé essa operação. "Trata-se de um grupo alemão com experiência em centros comerciais", disse à Agência Lusa o presidente do Rio Ave, preferindo manter em segredo o nome desse parceiro.
O negócio assemelha-se a uma permuta: o clube de Vila do Conde, que esta época desceu à Liga de Honra de futebol, dá o terreno do estádio ao tal grupo e, em troca, este constrói um recinto moderno, "mais adaptado às exigências do Rio Ave e dos adeptos", explica o mesmo dirigente.
O novo complexo está projectado para o espaço onde fica o campo de treinos utilizado pelo clube, mesmo ao lado do Estádio dos Arcos, cujos 12.500 lugares são considerados excessivos. A palavra de ordem é agora "comodidade", para atrair sócios e simpatizantes.
O centro comercial será um grande empreendimento e, sem entrar em grandes pormenores, Paulo Carvalho revela que terá, "aproximadamente, 8.500 lugares para estacionamento". O que está a ser feito agora, continua, é "um estudo de trânsito", uma peça fundamental para que a ideia receba luz verde da Câmara Municipal de Vila do Conde, que "gostou do projecto e acha-o interessante".
"Será uma nova centralidade urbana", procura justificar Paulo Carvalho, um engenheiro civil, de 46 anos, funcionário da autarquia liderada por um histórico do poder local que também preside à Assembleia Geral do Rio Ave, Mário de Almeida. O que o Rio Ave ambiciona é seguir as pisadas de outros clubes como o Benfica ou o Sporting e, refere Paulo Carvalho, "aproximar-se das pessoas", dar-lhes mais do que um jogo de futebol em cada 15 dias. O clube não tem um ginásio, uma piscina, nem qual outra modalidade além do futebol.
Desde o dia 17 de Dezembro que o Rio Ave não joga em casa. Há duas razões para este facto: a pausa que o futebol fez durante a quadra natalícia e um calendário caprichoso, que impôs à equipa vilacondense um jogo para a Taça de Portugal em Alvalade, a 21 de Janeiro, e outro para a Liga de Honra na Póvoa de Varzim, domingo.
O Rio Ave só voltar a jogar no seu estádio a 4 de Fevereiro e Paulo Carvalho conclui que "isto é muito pouco para dar aos sócios" e que é preciso inverter esta realidade. O clube decidiu por isso avançar com algumas iniciativas com vista a fidelizar e atrair sócios.
Uma delas é o Rio Ave Partners, cujo objectivo é "angariar parceiros empresariais e comerciais" para dar benefícios aos associados. Outra iniciativa chama-se Rio Ave Action Point, que consiste na criação de uma rede de espaços onde estará disponíveis serviços como "cobrança de quotas, angariação de novos sócios ou vendas de bilhetes". Destaque ainda para o Rio Ave Movie, inspirado no conhecido YouTube que está disponível na Internet. Trata-se de um concurso de mini-filmes sobre o clube, que "irá ser lançado brevemente" no site do Rio Ave.

Despromoção ficou cara ao Rio Ave
O regresso à pouco mediática Liga de Honra de futebol teve um preço elevado para o Rio Ave, que só em receitas televisivas deverá perder mais de um milhão de euros esta época por comparação com a anterior.
As contas de exploração relativas ao exercício da temporada passada indicam que a televisão contribuiu com 1,1 milhões de euros para os cofres do clube, o equivalente a quase metade do respectivo orçamento. Para 2006/07, o orçamento totaliza 1,38 milhões de euros e prevê apenas 75 mil euros de receitas televisivas.
É por isso que o Rio Ave elegeu como principal prioridade para este exercício a estabilidade financeira, relegando para segundo plano tentar subir de divisão. "Não sou o melhor presidente na perspectiva do adepto que só quer resultados, craques e por aí fora", aponta o presidente do clube, Paulo Carvalho, em declarações à Agência Lusa.
"Se vender o Fábio Coentrão, endireito o clube", atira depois, sorrindo. Fábio Coentrão é a jóia da coroa, um extremo esquerdo de 18 anos com enorme potencial que tem andado nas bocas do mundo devido ao alegado interesse do Sporting nos seus serviços. "O Fábio só sai no fim da época", assegura Paulo Carvalho.
Com cerca de 3.800 sócios, o Rio Ave sabe que não pode contar com as quotizações para sanear as finanças do clube - "representam apenas dez por cento das nossa necessidades".
Daí que a transferência de jovens valores como Fábio Coentrão - ou Fábio Faria, de 17 anos, filho do ex-avançado Chico Faria, que jogou no Sporting - seja encarada como um instrumento essencial para dar mais saúde financeira ao clube.

PS: O Blogue do Rio Ave apoia de forma entusiástica o objectivo do presidente Paulo Carvalho de revitalizar o clube através da construção de um estádio confortável e funcional, garantindo igualmente boas condições de trabalho para as camadas jovens. O Varzim vai abraçar em breve a modernidade, o Rio Ave não pode ficar atrás. Desde que o projecto tenha qualidade e seja bem explicado aos sócios e munícipes, não será admissível que a Câmara Municipal de Vila do Conde tenha receio de dar o seu aval. Terá de ser feito um debate abrangente, pois claro, mas esta é uma oportunidade única para o Concelho e quem não perceber isso, tentando enveredar pela chicana política, ficará fora do comboio.

5 Comments:

Moisés Cambola disse...

Um RIO AVE voltado para os sócios, capaz de galvanizar, criar simpatias e afecto com as 70 mil pessoas do Concelho...é o meu sonho...
Um Rio Ave não só de Vila do Conde, Um Rio Ave do Concelho! Seria criar um ainda MAIOR GRANDE RIO AVE!
Já divergi muitas vezes do presidente e disse-o aqui no blogue, neste assunto como sócio dou todo o meu apoio ao Engº Paulo de Carvalho.

Anónimo disse...

ssdqeSobre o novo Estádio, dou nota 20!
Sobre um Estádio que tb sirva o Varzim (ou ainda um só clube nas duas cidades) é ideia que só pode passar pela cabeça de um brasileiro!!!

Anónimo disse...

mais um domingo à borla. sou contra isto. ainda por cima em dia de quota nova. estou mesmo a ver muita gente adiar a ida para as filas e entrar com o cartão de eleitor.

http://www.rioave-fc.pt/engine.php?id=268

Afonso Henriques

Hugo Anjos disse...

Caro Afonso,

Não defendo, por regra, que sejam dadas borlas. No entanto, esta é uma situação excepcional. Depois da vitória sobre o Varzim, há que capitalizar esse impulso para trazer mais gente para apoiar o Rio Ave. Uma segunda vitória consecutiva pode dar asas à equipa para a segunda volta. Acima de tudo estão os superiores interesses do Rio Ave. Os meus parabéns pela visão da Direcção. É assim que se marca a diferença. Agora, claro que gostava de ver maior dinamismo na captação de novos sócios, mas isso é complicado. Somos poucos, mas bons. FORÇA RIO AVE!!!

Anónimo disse...

mas em véspera de nova quota? é que já vi pela cidade umas folhinhas verdes A4 a sensibilizar o pagamento da quota 1.

e como o dinheiro não abunda, muita gente pode deixar o pagamento das quotas para o próximo jogo.

Afonso Henriques